quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


sua frieza
sua

de tão sua
soa não ser

de tão lua
mora 
no breu

aparece
quando tudo
é silêncio

e se esconde
onde o sol não
chega  





T.O.








(des)caso


o caso 
perguntou pro acaso
qual a causa
do tal descaso

o acaso 
respondeu pro caso
que não há causa
nem (há) causo
que resolva
aquele caso 


T.O.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ex perança


Escorriam algumas lágrimas pelo rosto especificamente no momento em que eu assistia a um vídeo de Facebook sobre "o respeito que todos deveriam ter". Tá certo que me fazer chorar não é assim uma missão tão árdua, mas eu sabia que ver imagens emocionantes justo naquele dia intenso e àquela hora da madrugada, poderia ser um sinal para que não me preocupasse tanto, pois tudo não estava tão perdido assim. Ok, entra aqui um certo sentimentalismo que os discursos do próprio Facebook ajudam a alimentar, seja nos posts sobre a moça que ajudou a achar um menino desaparecido ou nas filmagens de um cachorro brincando com um bebê deficiente. No fundo eu gosto de assistir a esses vídeos, talvez porque trazem à tona essa sensação de que existem pelo mundo coisas que valem a pena. Infelizmente, durante esses dias, as lágrimas emocionadas de ver um jogador de futebol entregando uma camiseta para um moço em cadeira de rodas ou ainda um lutador de UFC preocupado com um golpe forte que deu em seu adversário, não seriam suficientes para que esquecesse a quantidade de imagens tristes e situações revoltantes da semana. Às vezes sinto como se a humanidade tivesse parado no tempo - ainda que o tempo não a deixe parar - ou pior, retrocedido muitos anos. 


Ver a violência nas suas mais variadas formas não tem sido uma tarefa agradável, eu diria que é praticamente intragável. Anteontem meu primo foi detido no ato que fazia parte do Dia Nacional pela Educação, depois de sofrer grandes ataques de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo pela polícia. No Rio de Janeiro, também em protesto em apoio à greve do educadores, um policial grita "Eu vou largar o aço pra dentro de vocês, ein?" 
Ver algumas opiniões sobre o vídeo do policial que dá um tiro e mata o homem de moto que tenta roubá-lo, me trouxe um indesejável espanto. "Tem que matar mesmo", diziam alguns muitos pelas redes. Ver a quantidade de discursos machistas por causa de uma menina que teve sua privacidade exposta na internet, me trouxe momentos de extrema revolta interna e vontade de xingar muitos hipócritas das redes sociais. Ouvir de colegas que os vagabundos da USP estão fazendo greve de novo porque não querem ter aula enquanto o povo paga a sua faculdade, me fez sentir asco do individualismo que a cada dia se torna mais gritante nessa sociedade. Ultimamente, vivo esperando.

E eu não diria que espero algo desse esperar, por mais pessimista que isso possa parecer pra uma pessoa de vinte de três anos de idade. Aliás, eu tenho uma mania ingênua de achar que tudo tem um lado bom, também um gosto praticamente masoquista por relevar situações que me chateiam, quase que tonta por decreto. Mas isso, ultimamente, tem trazido momentos de reflexão reais. De fato, vivemos esperando. Esperando pelo dia em que não será preciso dizer para as pessoas que não é legal ser violento, e ainda ter que explicar a violência não é só aquela traduzida em sangue. Que o machismo é violência, preconceito é violência, egoísmo é violência. Parece um discurso daqueles que meu professor de Ensino Religioso fazia na quinta série, e de fato se assemelha bastante. E parece que uma quantidade enorme de pessoas faltou nessas aulas. 

Vivemos esperando pelo momento em que será possível fazer uma reunião de amigos sem ter que esperar dois meses para que cada um possa resolver seus problemas particulares com o tempo - que não espera. Esperando pelo dia em que vamos poder usufruir dos oitocentos reais que ganhamos trabalhando oito horas por dia com vinte anos de idade. Esperando não esperar tanto das pessoas, o que poderia diminuir a frustração quando aquela ligação prometida não vem e você se sente um alguém indiferente. Esperando a liberdade sexual, o sentir-se bem por ser quem é, o dia em que não vai acordar mal por não estar trabalhando e ganhando dinheiro, mas só estudando e terminando a segunda graduação. Esperando uma reação normal, livre de caretas, quando se diz que faz Pedagogia e quer montar uma banda ou ensinar música para crianças. 

Enquanto esse dia não chega, não tem problema assistir aos vídeos que tentam praticamente implantar um pouco de esperança pra isso tudo. Pelo menos me deixem pensar assim. O Ronaldinho Gaúcho nunca vai ler esse texto, mas talvez ficasse assustado em saber que vê-lo sendo homenageado por um time rival ou entregando sua camiseta suada para um moço deficiente me fez derramar algumas lágrimas. Talvez ele dissesse que eu sou/estou muito frágil ou quem sabe de TPM. Afinal, essas atitudes não deveriam causar espanto ou serem motivos de glorificação, mas sim princípios básicos do ser humano. Ainda assim, tudo bem, ao invés de ir dormir assistindo um PM dando tiro nos manifestantes, preferi ver o vídeo dos cachorros fazendo coisas incríveis e fofas, quase como "seres humanos", ainda que a comparação não seja justa. Cães são muito mais interessantes e amorosos. 




quinta-feira, 12 de setembro de 2013

da massa ao máximo


de tão mole
endurecesse
esse que agora
estica

remenda
feita da massa
que cresce
e não cabe
onde fica

que diz e não faz
o que fala
que pensa
e impossibilita

se ama(r) 
durecesse
o que cala 
na sina que permanece
amasse
não fosse rima
desse que aqui
carece 




T.O.















domingo, 1 de setembro de 2013

do amor


Parecia ser um dia como outro daqueles que costumavam perturbar seus sonos. Estavam naquela situação, afinal, já havia algum tempo. A mente de ambos ria de suas condições, brincando com o fato de serem tão iguais. E todos já sabiam do amor incondicional que tinham um pelo outro, um elo de outras vidas, mas poucos sabiam que eles eram capazes de viver praticamente as mesmas coisas e lidar com elas de forma intensamente emocional. Mas naquele dia ele teria ligado. “Hoje sai com uma pessoa incrível, nos falamos por três horas e não faltava assunto. Você precisa conhecer”. E precisava. No fundo ela sentiu que o tom de voz já era diferente, o entusiasmo na fala dele mostrava uma vontade extra, a percepção de que aquilo poderia ser um início de uma nova fase, e que ele precisava disso. Aos poucos percebia em seu olhar um brilho diferente, um gosto pela novidade que já não se resumia mais a festas, goles, tragos e ressacas. Cabia a ela dizer para que vivesse aquilo da maneira mais intensa possível, porque ele merecia ser feliz. Mas como tudo o que acontece na vida de ambos parece testar suas forças, aquele dom para sofrer e se apegar a essa condição, certo dia ele desmoronou. E durante aquele tempo em que a insônia aparecia, a vida brincava de bomba relógio, e o gosto salgado da água que corria por seus rostos era maior do que o sorriso que procuravam mascarar. A ela, bastava o papel de acalmar  um coração aflito e ao mesmo tempo corajoso. No entanto, dor maior era não conseguir tirar de si a ansiedade que sempre tomou conta do seu peito. Eles sabiam que não seria nada fácil vencer aquele medo constante de que dali um segundo seus corações parassem de bater. Porque eles sentiam a mesma coisa, talvez porque fossem um só. Poucos sabiam da carência deles, da vontade de dizer “ei, vocês, me olhem! Eu estou aqui, olha como sofro, olha como eu mereço atenção.” Mas o tempo passou e com ele veio o aprendizado real de que o que é pra ficar fica, e aquela pessoa incrível com quem ele havia conversado por três horas teria se tornado um alguém imprescindível, um motivo de intensa felicidade e crescimento. Aquela pessoa olhou e disse:  “eu estou aqui e darei a atenção que você merece”. E foi essa pessoa que passou por tudo junto com eles e traz diariamente um sorriso sincero em suas faces. Na dele, porque é hoje o homem de sua vida, na dela, porque é o homem da vida do homem de sua vida. 

para Lucas Galati e Ricardo Morelli  

domingo, 18 de agosto de 2013

meu nome é mar

"Aqui nesta ilha há tanto mar
O mar e mais o mar
Ele transborda de tempo em tempo

Diz que sim
Depois diz que não,
Diz que sim e de novo não

No azul, na espuma, em galope
Ele diz não e novamente não

Não fica tranquilo, não consegue parar
Meu nome é mar - ele repete
Batendo numa pedra, mas sem convencê-la (...)"




terça-feira, 6 de agosto de 2013

práxis pra que?



e na tentativa de viver a prática da teoria
me pego enroscada no próprio laço que desfiz
como pode haver esse medo do incerto
se já não existem mais certezas? 

e na esperança de que esteja tudo livre
me vejo lutando contra um ser enciumado que habita o peito 
e se esconde para não ser descoberto.
esse mesmo homenzinho que chacoalha a cabeça
faz palpitar o coração e gelar a barriga. 

e na briga constante para não me deixar levar
acabo soltando-me na correnteza e tento respirar pela superfície. 
e nas contradições do que digo e do que sou
procuro me manter racional, ainda que sobre coração. 


T.O.




quarta-feira, 24 de julho de 2013

três pontinhos


vida passa
entre interrogações 
exclamações
e pontos finais.

e que bom 
que sempre sobram
as reticências...


T.O.





domingo, 21 de julho de 2013

carta molhada


ei, me perdoa.
perdoa minha insegurança
meu egoísmo
minha confusão
perdoa meu receio 
meu momento 
que eu nem sei 
qual é

ei, acredite.
tem a minha mais sincera admiração
meu mais profundo
respeito e amor

creia que é além
e é com você
a minha dança
que hoje desespero
de medo 
de perder 
esse teu olhar

me espero
e mesmo sabendo 
que não tem esse direito
meu coração te pede
me espere. 


https://myspace.com/zemodesto/music/song/para-o-ernesto-11822981
pra clicar


T.O.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

por um lindésimo de segundo


tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas

P.L.

domingo, 26 de maio de 2013

(r)eleve

no fim
o sopro
é leve

no fim
a tristeza
é breve

e
leva
um pouco
da alma

lhe vai
e vem
de 
graça

calma!

assopra
de leve
que passa



T.O.











segunda-feira, 20 de maio de 2013

colo de mãe


-Ta aí a diferença entre o ser e o estar
- E eu, me diz, sou o que?
-Você? É. 


T.O.

sábado, 27 de abril de 2013

pra guardar


"lembra o tempo
que você sentia
e sentir 
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?"

segunda-feira, 8 de abril de 2013

era uma vez...


e novamente se perdeu. ali, sentada debaixo da sombra da janela, olhou com rancor para o passarinho que pousava ao seu lado. a ave, já bem alimentada, mirava o chão ausente de farelo. "não me olhe desse jeito", disse. "você não precisa dessas migalhas". e  num misto de canto e sussurro, completou: "elas não vão te dar o caminho".



sábado, 6 de abril de 2013

do zero



E se deixássemos essa história pra outro dia?
Podíamos, enquanto isso, tocar atabaques 
fazer piqueniques
dançar maculelê
e rodar vestidos floridos 

E se deixássemos esse silêncio pra outro momento?
quem sabe podíamos cantar mais tempo no chuveiro
talvez sobrassem uns minutos 
pra ouvir da janela as maritacas 
altos decibéis do som do carro
e piano tocado a quatro mãos

E se fingíssemos por uns instantes que não nos conhecemos?
podíamos, talvez, rir por longos minutos
dar abraços totais
fazer piadas toscas
e apresentar nossas famílias


E se deixássemos a irritação pra semana que vem
Ou a mágoa para um futuro mais distante?
podíamos, então, ser escritos a lápis
ter um coração de borracha
e memória de elefante




T.O.














domingo, 17 de março de 2013

poesia é não


"reverto o verso
refaço o traço
reciclo o ciclo
divirto o pão e o circo

refazer o essencial
deter o comercial
retificar o final
verter suor e sal"


Conseguiu.











segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

globa(na)lização do afeto




Enganava-se. Já haviam dito que pensar não era fácil, nunca seria. Porque então insistia em dizer que esse era o melhor caminho? Talvez isso trouxesse à tona o que estava ali, guardado a sete chaves naquele labirinto profundo, em cada palpitação intensa do seu coração. Certamente também não seria tarefa fácil tirar isso do inconsciente e deixar chegar aos olhos.  Mas ela sabia que tudo o que tinha vivido não poderia ser deixado de lado. No fundo insistia em fazê-los pensar por ter a certeza que não esqueceriam tão cedo de tudo o que haviam dito. Ou não dito, o que era ainda mais simbólico. Ela sabia, e não porque era leitora assídua de poesia, mas porque tinha a esperança de que todas aquelas conversas, todas aquelas risadas e aqueles carinhos reprimidos nunca fossem esquecidos.  Sempre disseram para que tomasse cuidado, pois as coisas sempre mudam e bla bla - e ela nunca foi acostumada com isso. Mas dessa vez era diferente, dizia ela. Tinha a certeza de ter conseguido plantar uma semente, mesmo que demorasse muito tempo para nascer. Estava cansada e descrente, e não pelas mudanças, mas pela maneira com que tudo estava acontecendo. Calma, pensava. Algumas flores demoram a brotar e não é por falta de água. Elas têm medo da luz. 


T.O.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

a casa das palavras



"na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As 
palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se 
ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as 
olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, 
provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os 
poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam 
palavras que conheciam e tinham perdido."

um dia eu re(encontro).