sábado, 27 de abril de 2013
pra guardar
"lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?"
sábado, 20 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
era uma vez...
e novamente se perdeu. ali, sentada debaixo da sombra da janela, olhou com rancor para o passarinho que pousava ao seu lado. a ave, já bem alimentada, mirava o chão ausente de farelo. "não me olhe desse jeito", disse. "você não precisa dessas migalhas". e num misto de canto e sussurro, completou: "elas não vão te dar o caminho".
sábado, 6 de abril de 2013
do zero
E se deixássemos essa história pra outro dia?
Podíamos, enquanto isso, tocar atabaques
fazer piqueniques
dançar maculelê
e rodar vestidos floridos
E se deixássemos esse silêncio pra outro momento?
quem sabe podíamos cantar mais tempo no chuveiro
talvez sobrassem uns minutos
pra ouvir da janela as maritacas
altos decibéis do som do carro
e piano tocado a quatro mãos
E se fingíssemos por uns instantes que não nos conhecemos?
podíamos, talvez, rir por longos minutos
dar abraços totais
fazer piadas toscas
e apresentar nossas famílias
E se deixássemos a irritação pra semana que vem
Ou a mágoa para um futuro mais distante?
podíamos, então, ser escritos a lápister um coração de borracha
e memória de elefante
T.O.
domingo, 17 de março de 2013
poesia é não
"reverto o verso
refaço o traço
reciclo o ciclo
divirto o pão e o circo
refazer o essencial
deter o comercial
retificar o final
verter suor e sal"
Conseguiu.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
globa(na)lização do afeto
Enganava-se. Já haviam dito
que pensar não era fácil, nunca seria. Porque então insistia em dizer que esse
era o melhor caminho? Talvez isso trouxesse à tona o que estava ali, guardado a
sete chaves naquele labirinto profundo, em cada palpitação intensa do seu
coração. Certamente também não seria tarefa fácil tirar isso do inconsciente e
deixar chegar aos olhos. Mas ela sabia
que tudo o que tinha vivido não poderia ser deixado de lado. No fundo insistia
em fazê-los pensar por ter a certeza que não esqueceriam tão cedo de tudo o que
haviam dito. Ou não dito, o que era ainda mais simbólico. Ela sabia, e não
porque era leitora assídua de poesia, mas porque tinha a esperança de que todas aquelas conversas, todas
aquelas risadas e aqueles carinhos reprimidos nunca fossem esquecidos. Sempre disseram para que tomasse cuidado,
pois as coisas sempre mudam e bla bla - e ela nunca foi acostumada com isso. Mas dessa vez
era diferente, dizia ela. Tinha a certeza de ter conseguido plantar uma
semente, mesmo que demorasse muito tempo para nascer. Estava cansada e descrente, e não pelas mudanças, mas pela maneira com
que tudo estava acontecendo. Calma, pensava. Algumas flores demoram a brotar e não é por falta de água. Elas têm
medo da luz.
T.O.
T.O.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
a casa das palavras
"na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As
palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se
ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as
olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos,
provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os
poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam
palavras que conheciam e tinham perdido."
um dia eu re(encontro).
Assinar:
Postagens (Atom)
