segunda-feira, 28 de maio de 2012
sem título
Não se assuste com a frieza das minhas mãos
você sempre soube que a única parte quente do meu corpo
é aquela que bate constantemente do lado esquerdo do meu peito.
não esqueças que estamos quase no inverno
mas não, eu não quero que me esquente.
o frio chega aos poucos e também aos poucos se infiltra pelos poros
que ainda estão presos naquela outra pele
e como se quisesse congelar o que ainda está protegido pelo calor do sangue
traz silêncios, descobertas, enganos e saudades.
ei, você não pode fazer nada por mim
eu preciso me cobrir de verdadeiros sentimentos.
hoje eu desejei o deserto
mas sei que não preciso esperar o verão,
tão logo o sol aparece e aquece todo o resto.
domingo, 13 de maio de 2012
E se
Se me finjo
É porque te quero
Se te quero
É porque me sinto
Se te sinto
É no pensamento
Se te penso
É porque não nego
Se te nego
É pelo medo
Se me digo
É porque percebo
Se te choro
É porque calo
Se me calo
É porque fujo
Se te fujo
É pra me encontrar
T.O.
É porque te quero
Se te quero
É porque me sinto
Se te sinto
É no pensamento
Se te penso
É porque não nego
Se te nego
É pelo medo
Se me digo
É porque percebo
Se te choro
É porque calo
Se me calo
É porque fujo
Se te fujo
É pra me encontrar
T.O.
sábado, 31 de março de 2012
embriaguez sonora
Lá fora o som dos acordes chega como sopro calmo a meus ouvidos. a melodia navega tranquilamente diante de um mar agitado. cada gole de vinho é um coração que descansa, respira e dança. náuseas, tonturas, vertigens.
a viagem é longa
(já não importa)
(já não importa)
tem música
e bebida suficiente
T.O.
T.O.
segunda-feira, 12 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
zabumba dentro do peito
"Você parece ter um bom coração". Essa foi a frase que eu ouvi do conhecido rosto daquele cobrador. Era plena quinta-feira pela manhã e eu entrava - estabanada como sempre- naquele ônibus tentando equilibrar-me enquanto procurava o bilhete único que mais uma vez havia sido abduzido e levado para o reino das mochilas bagunçadas. Não sei se aquele moço achou engraçado meu jeito descoordenado de ser, o meu desespero momentâneo procurando o cartão ou os tantas outras canhotices que me fazem ser motivo de piada entre os amigos. Mas isso, de qualquer forma, não justifica em nada o meu "bom coração". Na hora, admito, não disse nada. Dei aquele sorrisinho tímido enquanto olhava de canto do olho um senhor rir daquela situação como se dissesse para si mesmo: "xi, olha lá, ela tem um bom coração, coitada. e as pessoas já estão até percebendo...". Sentei longe do campo de visão de ambos, questionando-me porque raios o homem que eu pouquissimo tinha visto na vida havia me dito aquilo.Talvez porque eu tivesse cedido o lugar para algum idoso ou dado bom dia para o motorista, mas, sinceramente, nem isso eu me lembro de ter feito. E mesmo se fosse, ora, muitas pessoas fazem isso por dia e nem todas tem um bom coração- como o meu? risos. Imaginei que talvez fosse uma cantada do moço, mas depois daquele momento eu só consegui pensar que estava exalando carência, que dali a alguns segundos alguem viria me abraçar e dizer que é legal ter um bom coração e que ser carente também não é de todo mal. E então outro diria para eu não sofrer por ser assim como eu sou, por amar demais, por querer mostrar isso para pessoas, porque sempre teria alguém que reconheceria esses valores, nem que fosse, seila, um cobrador de ônibus. Claro que não deixei de imaginar também todos ali me olhando como se eu fosse um alienígena amante em meio a uma sociedade sem coração, mas acabei dormindo com meus pensamentos e aceitando o fardo mesmo sem saber o que isso significaria. Acordei assustada exatamente no local em que iria descer e quando pensei que era tarde e teria que voltar a pé um quarteirão no sol do meio-dia, o ônibus magicamente parou sem que ninguém tivesse dado o sinal . Olhei para o motorista pelo espelho acima da porta traseira e dei um sorriso de agradecimento. Ele contribuiu com uma piscada e certamente pensou: "não se engane, isso sim é ter um bom coração".
domingo, 8 de janeiro de 2012
fire to the rain
Olhou para o alto almejando que cada gota daquela chuva pudesse lavar-lhe a alma. Esperou cada pingo acariciar lentamente o seu rosto, ainda que naquele momento fosse incapaz de distinguir o que era chuva, choro ou resquícios salgados de um mergulho no mar. Se deixassem, ficaria ali: pulando, correndo, gritando. Ou dançando como se aquela fosse a última música que passaria por seus ouvidos. Já não sabia como mostrar tudo o que gritava em seu coração e os pensamentos que não lhe fugiam da cabeça um minuto sequer. No entanto, voava um voo tão alto que demoraria a pousar. Aqueles dias puderam despertar ainda mais vontade de viver, sentir e deixar-se levar. Mergulhou, como numa tentativa inútil de esconder o que lhe parecia tão óbvio mas custava enxergar. Contou até dez, e, enquanto as ondas encharcavam o seu vestido já transparente, implorava para que o medo pudesse deixá-la de lado nem que fosse por instantes. Quando, enfim, olhou para o céu, pediu para que tudo iniciasse de maneira diferente. Há quatro segundos para o início do fim e de um (re)começo, deixou seus olhos procurarem por fatais abraços molhados. Foram minutos de explosão. Milhares de luzes mostraram que tudo realmente poderia mudar e, sim, seria possível deixar-se sentir. Reprimiu momentaneamente uma vontade de abraçar o mundo, que naquele instante tinha nome próprio, mas ainda assim estava feliz. percebeu que esse seria um novo ano novo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
todo sentimento
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu
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