domingo, 30 de setembro de 2012

objeto sujeito


você nunca vai saber 
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade
pelo lado de dentro
como fazer de um verso 
um objeto sujeito
como passar do presente
para o pretérito perfeito
nunca saber direito

você nunca vai saber
o que vem depois de sábado
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio
quem sabe apenas
mais um domingo

você nunca vai saber
e isso é sabedoria
nada que valha a pena
a passagem pra pasárgada
xanadu ou shangrilá
quem sabe a chave de um poema
e olha lá

P. Leminski

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sobre a espera


e o tanto às vezes é pouco
e  o pouco já não mais basta
e tudo parece normal
mas a tristeza transforma.
e espera.
e como demora o sol quando se espera por ele


T.O.















quarta-feira, 29 de agosto de 2012

da conversa entre Clarice e Tom Jobim

C : - É que eu sinto que nós chegamos ao limiar de portas que estavam abertas - e por medo ou pelo que não sei, não atravessamos plenamente essas portas. Que no entanto têm nelas já gravado nosso nome. Cada pessoa tem uma porta com seu nome gravado, Tom, e é só através dela que essa pessoa perdida pode entrar e se achar.

T: - Batei e abrir-se-vos-á.